domingo, 11 de dezembro de 2011

Vontade

Vontade de gritar, cantar, chorar, pintar
Vontade de rir, correr, representar
Tanta vontade que chega a dar gastura
Mas morre ali mesmo, na boca do estômago
Na borda do âmago
Na frustração, na decepção
Essa covardia que abaixa minha voz
Dessensibiliza meus músculos
Congela minhas expressões
Mas é uma represa à beira de transbordar
É um peixe tentando do aquário escapar
É o pássaro que bica a talisca da gaiola até quebrar
A e voa, voa rápido, de uma vez só todas as horas
Um dia ele voa, nem que seja pra fora do aquário
E morra asfixiado 

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